Roupas de compressão e melhora da performance

Corrida é uma prática esportiva maravilhosa, o índice de corredores no brasil vem aumentando, segundo pesquisas a prática está em 2º lugar de popularidade, ganhando adeptos a cada ano que passa. Estima-se que 4,5 milhões de pessoas são praticantes de corrida recreativa, além de ser uma modalidade que ajuda no bem-estar, saúde cardiovascular e melhora mental. A prática além de aquecer os setores da economia, os corredores estão sempre em buscas de metas e superação.

Porém nos últimos anos correr parece ser um desafio, antigamente corria-se com qualquer tênis, camisa, boné, shorts e um pequeno relógio de pulso, hoje em dia o poder da mídia induz várias pessoas a comprar diversos acessórios, são camisas específicas, bonés específicos, shorts de ultra tecnologia, protetores solares e relógios que marcam até mesmo a frequência cardíaca, o objetivo aqui não é denegrir os acessórios, porém a mídia coloca isso como se fosse regra, “vai começar a correr, então corra com nossos acessórios”, não é atoa que a importação sobre estes produtos e acessórios movimentou 15,11 bilhões em 2014.

A maioria das grandes empresas investem muito pesado em pesquisas científicas, porém poucas pessoas sabem que existe um grande conflito de interesse entre os donos das empresas e os pesquisadores que promovem o artigo científico “mostrando os efeitos sobre a performance”, criando então um produto que ao longo do tempo acaba virando regra sobre a prática, além do que participantes de corrida gastam em média 518 reais por prova (tênis, roupas e acessórios), é tudo que as grandes empresas queriam, fora o marketing pesado.

O nosso foco hoje será sobre as roupas de compressão, especificamente as de uso para membros inferiores, geralmente as roupas de compressão (principalmente meias e calças) eram mais vistas em ambientes clínicos, onde era utilizada por  pacientes que possuem problemas vasculares, como trombose venosa profunda e insuficiência venosa, estes acessórios foram originados para tratamento ou melhora destas doenças vasculares.

Recentemente foram implantadas meias de compressão em viagens aéreas para ajudar no retorno venoso e evitar problemas vasculares, onde foi vista redução de tromboembolismo venoso em pacientes que faziam longas viagens, as meias estavam abaixo do joelho.

As meias compressivas recebeu uma grande atenção depois que Paula Radcliff, tinha estabelecido um novo recorde mundial em uma maratona (2003), e a mesma utilizava meias de compressão, a outros atletas foram vistos fazendo uso dos acessórios (Lornah Kiplagat, Michael Wardian). Uma pesquisa simples feita no google você irá ver diversas propagandas sobre roupas compressivas uma delas são “Com a Meia de Compressão… você garante um treino funcional e dinâmico, as tecnologias da peça diminuem o tempo de recuperação e evitam dores musculares durante o treino”, será que realmente as roupas e meias possuem todo este potencial? é o que iremos ver logo abaixo.

Roupas de compressão e melhora da performance

Geralmente a utilização das roupas pelos atletas é justamente pelo o “benefício” da roupa sobre a melhora da performance, será realmente que as roupas são capazes de melhorar o rendimento dos atletas?, siga abaixo e vamos analisar os resultados dos estudos.

Um estudo cujo objetivo foi investigar o efeito das pressões das meias compressivas sobre a performance 10km de corrida (campo), participaram do estudo 9 homens e 3 mulheres experientes, completaram 4 testes de 10km, com meias com diferentes pressões, grupo controle (pressão 0 mmHg), meia de baixa pressão (12-15 mmHg), meia de média pressão (18-21 mmHg) e de alta pressão (23-32 mmHg), teste de potência de membros inferiores, concentração de lactato sanguíneo, frequência cardíaca (apenas durante a corrida), escalas de percepção de conforto, aperto e ou qualquer outra dor causada pela meia, os testes foram realizada antes e após os testes, não houve diferença significativa sobre a performance, frequência cardíaca e lactato, os atletas dos grupos controle e baixa pressão sentiram-se mais confortáveis quando comparados com os grupos de meias com pressão média e alta, grupo que utilizou meias de alta pressão sentiram mais dor e desconforto, ou seja diferentes pressões de meias não resultaram em melhor performance, porém o grupo de baixa pressão e média mantiveram a potência após o treino de endurance.

Já outro estudo parecido com o anterior investigou também as diferenças de pressões promovidas pelas meias sobre efeitos fisiológicos durante a corrida onde 9 homens e 1 mulher 3 testes de 40 minutos em esteira, com meias de diferentes pressões, grupo controle meia com pressão (0 mmHg), baixa pressão (12-15 mmHg) e grupo de alta pressão (23-32 mmHg), sobre os padrões fisiológicos, captação de oxigênio, frequência cardíaca e lactato sanguíneo foram medidos pré e pós testes, escala de conforto, aperto e desconforto, testes de função muscular, dano muscular foram realizados pré, e após 24-48 horas após corridas, mioglobina e ck foram parâmetros para dano muscular e salto contra movimento para função muscular.

Não houve diferenças significantes entre os grupos, sobre os parâmetros fisiológicos, porém quando utilizado meias de alta compressão sentiram mais desconforto e dor, quando comparado ao grupo controle e de baixa pressão, não houve diferença entre função muscular entre os grupos, sobre a conclusão do estudo, não houve benefícios e melhoras fisiológicas sobre a corrida, porém eles se sentiram mais confortáveis utilizando as meias de baixa compressão

Um terceiro estudo onde 15 atletas de endurance bem treinados, idade média de 27 anos, realizaram 4 submáximos (~70% VO2max) e testes máximos com ou sem diferentes meias de compressão, meia-calças e conjunto (meia, meia calça e camisa). Lactato sanguíneo, saturação de oxigênio e pressão parcial, pH, captação de oxigênio e taxas de dor muscular foram relatadas e diagnosticadas antes, durante e após os testes. Não houve diferenças sobre os padrões fisiológicos e bioquímicos entre os atletas que usaram diferentes tipos de roupas sobre os testes de submáximos e máximos, nem melhoraram o tempo de exaustão, captação de oxigênio e dor muscular com diferentes tipos de roupas compressivas.

Pelo contrário outro estudo mostrou melhoras na performance, quando utilizado meias de compressão abaixo do joelho em homens corredores, 21 atletas moderadamente treinados, sem problemas vasculares, os atletas fizeram teste sobre a esteira passo a passo, até uma velocidade que o atleta não conseguisse mais se manter correndo, a cada 5 minutos a velocidade aumentava 1 km/h, lactato sanguíneo foi coletado para obter os limiares ventilatórios, as meias compressivas possuíam uma pressão de aproximadamente (24 mmHg) e 85% de poliamida e 15% de elastano. Performance submáxima foi maior para quem usou as meias, performance em limiar ventilatório 1 e 2 foi maior para grupo com meias, capacidade aeróbica foi melhor para o grupo com meias, velocidade máxima foi superior ao grupo com meias compressivas.

Considerações finais e limitações

A melhora da performance na corrida envolve diversos fatores como força, potência, flexibilidade, capacidades aeróbica, anaeróbica, todos estes pilares são modulados através de um planejamento de treinamento, cujo com uma periodização, promoverá adaptações necessárias para que o atleta consiga chegar ao seu objetivo, fora dos treinamentos para melhoria das capacidades aeróbicas, existe o treinamento de força, potência, propriocepção, flexibilidade, coordenação, que irão ajudar na economia de corrida, roupas e meias compressivas não pode ser o centro das atenções para melhora da economia, pode ser que exista alguns benefícios porém é muito cedo para realmente constatar uma melhora significativa na questão prática.

Qual a sua opinião sobre roupa de compressão e performance? Tem algo para dizer? Deixe nos comentários abaixo!

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