Hipertrofia regionalizada? O que é e como funciona

Existe muita discussão envolvendo o treino de força (TF) sobre se é possível enfatizar determinada região de um grupo muscular, através da biomecânica sabe-se que é praticamente impossível isolar determinada musculatura, em um exercício para membros inferiores, cadeira extensora por exemplo, toda a musculatura da região do quadríceps será solicitada, diante disso a hipertrofia  deve ocorrer de forma homogênea entre esse grupo muscular?

Ou seria possível ocorrer diferentes graus de hipertrofia entre os músculos dessa região, ou até mesmo em diferentes regiões de um mesmo músculo? Ou seja, hipertrofia regionalizada?

Um estudo analisou essa dúvida, onde 11 sujeitos e 10 como controle, realizaram por 12 semanas (36 sessões) o exercício extensão unilateral de joelho. Os treinos ocorreram 3 dias por semana, composto por 5 séries de 8 repetições, com descanso de 90″, com 80% de 1RM.

Os principais achados deste estudo foram:

  • Área de secção transversa (ACSA), espessura do músculo, e o ângulo de penação de Reto femoral (RF) foram maiores do que nos outros músculos, e foi significativamente maior na região distal, ou seja, a hipertrofia foi diferente entre os músculos, e ao longo de um mesmo músculo. Diante destes resultados podemos ver que a hipertrofia não ocorreu de forma homogênea entre os músculos do quadríceps, e sim de forma regionalizada.
  • Correlação entre espessura do músculo e do ângulo de penação, em outras palavras, o estudo mostrou que o ângulo penação sofre alterações em músculos que mostram respostas hipertróficas.

Mecanismos

Alguma das explicações do porque ocorreu hipertrofia regionalizada são:
Ativação muscular: no exercício escolhido pode ter ocorrido maior ativação em um músculo do que outro, podendo ter influenciado sobre as mudanças relativamente maiores em um músculo do que em outro.

% de fibras tipo II: outro fator que pode ter influenciado a hipertrofia regionalizada é o fato de um músculo conter maiores quantidades de fibras tipo II do que outros e até mesmo em diferentes regiões de um mesmo músculo, e já se sabe que as fibras do tipo II são as que mais respondem ao processo de hipertrofia muscular.

Tamanho do sarcômero: a diferença no tamanho do sarcômero ao longo do músculo pode ter influenciado na hipertrofia regionalizada, fibras do tipo I possuem sarcômero maiores, e fibras do tipo II possuem sarcômero menores, o que pelo fato de serem menores sofrem maiores danos quando estão sobre o processo de alongamento.

Este assunto nos mostra como nos limitamos quando somente olhamos para estudos eletromiográficos, pois os resultados mostram que a hipertrofia não depende somente de ativação muscular, mas também de um conjunto de fatores Arquitetônicos.

Embora sejam necessários mais estudos para confirmar estes achados, os resultados deste estudo pode ser de grande valia prática, principalmente para os educadores físicos, por saber em qual região este exercício pode contribuir para a hipertrofia muscular, pode ser útil também para praticantes do treino de força que tenham assimetria muscular nesta região ou até mesmo para atletas que desejam maiores graus de hipertrofia em determinada região.

Possui alguma dúvida sobre hipertrofia regionalizada? Deixe nos comentários abaixo.

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